domingo, diciembre 31, 2006

Carta de Intenções 2007

Uma carta de intenções não é uma lista de promessas. Quem faz uma promessa prende-se a uma camisa de força. Uma carta de intenções é apenas uma carta de intenções. E lá vai a minha.

EM
2007 eu pretendo não pensar em promessas de ano novo, nem de semana nova, nem de mês novo, nem encher de promessas velhas nada que seja novo. Em 2007, eu pretendo fazer coisas novas quando tiver vontade, e repetir as coisas de sempre quando for preciso. Se o novo vier, será bem vindo... E sempre vem. Só.

Em 2007 eu pretendo juntar menos papel. Pretendo comprar umas cores diferentes de esmalte, para combinar com as cores de roupas diferentes que eu pretendo comprar também. Vou tentar usar o cabelo de um jeito diferente, já que uso o mesmo corte, a mesma cor e os mesmos jeitos de prender há anos. Vou tentar gastar o meu dinheiro de forma mais racional. Como sei que não vou conseguir, então vou procurar curtir cada coisa que eu não resistir a comprar ou fazer com ele, sem culpa. Aliás, em 2007, não quero saber de muita culpa, porque vou continuar acreditando que cada um faz o melhor que pode. Eu, pelo menos, sempre faço. Sendo assim, pouca culpa. Só vontade de melhorar da próxima vez, mesmo.

Em 2007, eu quero trabalhar menos, ou de uma maneira que me canse menos. Se bem que isso, eu sei, vai ser difícil de acontecer. Então, a intenção, pelo menos, é descansar mais. E levar as coisas com mais leveza. Pretendo me envolver menos em fofocas, reclamações, estresses desnecessários. Pra isso, pretendo usar meus ouvidos e minha boca nas proporções que me foram dadas: dois para uma.

Em 2007, eu vou cuidar melhor da minha saúde, dominando a minha indiferença pelo hábito de ir ao médico. Também vou cuidar melhor da minha família, prometendo encarar as ações e palavras deles com mais amor e mais carinho, ensinando o que eu aprendi e aprendendo o que me for ensinado. Pretendo também, aos poucos, caminhar algumas horas por semana, de preferência em um lugar bem bonito onde eu possa me encantar com a natureza. Pretendo ouvir mais música, e doar umas roupas velhas e jogar fora algumas antigas cartas de amor - porque elas ocupam muito espaço e é preciso que haja espaço para cartas novas (viu amorzinho?)

Em 2007, eu pretendo abraçar mais pessoas, e tentar lembrar de não terminar o dia sem lembrar de pelo menos um querido ou querida - e fazer essa pessoa saber disso. Pretendo responder mais aos telefonemas, lembrar mais dos aniversários, não deixar um email pessoal e carinhoso passar batido por semanas. Atenção e afeto nunca são demais entre pessoas que se gostam.

Não vou fazer regime, que não dou pra isso, mesmo sendo gordinha. Então, vou gostar mais ainda de mim, e cuidar da minha alimentação o suficiente pra continuar com o colesterol, pressão e diabete em níveis ótimos. Aliás, eu pretendo comer menos a noite e me habituar a tomar café da manhã. Pretendo também visitar mais os blogs amigos, arrumar uma maneira sistemática pra fazer isso.

Em 2007, eu vou tentar usar agenda. Provavelmente não vou conseguir, mas posso tentar, quem sabe assim em 2008 posso fazer isso com mais tranquilidade. Pretendo viajar uns dias pelo menos uma vez, vencendo essa minha mania de ficar em casa. Vou molhar as plantinhas, e se superar o trauma de ter visto meus peixinhos morrerem, vou pensar em animaizinhos de estimação. Irei mais vezes ao cinema e tomarei mais sorvete. E vou também apagar das listas de msn, icq, agenda de telefone e afins o nome de pessoas que não conheço, ou que não quero mais conhecer. Vou tentar ter uma relação mais amigável e doce com a minha irmã, pelo menos no que depender de mim. E vou tentar escrever posts menores e menos melosos.

Vou fechar os ouvidos para todos aqueles que criticam minhas atitudes sem procurar conhecer minhas razões. Vou aprender a fazer feijão pra deixar meu maridinho feliz. E não vou deixar ninguém meter os bedelhos no meu casamento.

Vou apontar os lápis, organizar os arquivos de computador, parar de morder os lábios e comprar um relógio novo. Vou tentar dominar minha preguiça de ler o máximo que conseguir. Vou tentar ajudar na reconciliação de pessoas que brigaram. Pretendo também me envolver em algum trabalho social e lembrar de começar e terminar todos os dias com uma pequena oração de agradecimento.

Vou gritar menos com as crianças, ter mais paciência ainda com as pessoas e manter os meus cds dentro da capa. E pra começar, vou imprimir e pendurar esse texto no mural do meu quarto pra não esquecer de todas essas intenções.

Acima de tudo, em 2007 eu pretendo viver e amar, do melhor jeito que eu conseguir. E que a cada dia, quando eu for dormir, eu pense que, por algum motivo, por minúsculo que seja, aquele dia valeu a pena.

Feliz 2007 pra vocês, pessoas.

E muitas intenções de festas brotando nos corações todos os dias ;-)

miércoles, diciembre 27, 2006

Balanço

Mas, de repente, você aprendeu! Sim, demorou mas aprendeu!

Agora as coisas fazem mais sentido, não é mesmo? Você cai, fica ferida... mas você cresce! Agora você entende porque vale a pena!

Cair tanto te tornou mais forte! Você, que sempre se sentiu demasiadamente frágil, agora entende quão forte é!

O ano pode até ter sido duro, mas você tem forças para entrar na batalha que quiser! Às vezes, sem vitória, mas sempre com as experiências! A derrota, afinal, nem sempre é tão ruim.

Agora você vê o quão bom foi o ano. Sim, até houve aqueles momentos em que não dava vontade de rir, mas você aprendeu o máximo que pode com a situação!E todos os outros momentos, foram de risos extremamentes sinceros.

E agora, com a expectativa de um ano totalmente novo, você percebe que ser feliz só depende de você! Sim, somos nós que escolhemos por qual janela queremos olhar, da mesma forma que escolhemos quando estamos derrotados. É só querer!

E agora, que venha um ano novinho e que nele tenhamos força para lutar pelo o queremos e principalmente, que tenhamos a capacidade de olhar para novos horizontes =)

domingo, diciembre 24, 2006

Uma noite de milagres

Quando eu era criança, eu achava que sempre acontecia um milagre na noite de natal. Não sei por que eu tinha essa idéia. Talvez por conta das milhares de luzinhas piscando, parecendo estrelinhas no chão. Ou por conta de todos aqueles filmes apelativos que passavam na TV. Ou talvez fosse por causa de toda aquela história do papai noel, que minha mãe insistia em manter. Ou quem sabe era a abundância de presentes, sempre tão atrativa para as crianças... Ou pelo fato de ir à igreja e ouvir tantas canções lindas entoadas pelo coral, vendo os presépios e pecinhas de natal. O fato é que eu realmente achava que, em algum lugar, um milagre ia acontecer na noite de 24 de dezembro.

Uma vez resolvi compartilhar com meu pai essa desconfiança. Será que era verdade isso que eu pensava? De onde vinha essa idéia? Perguntei a ele, e ouvi:

- Mi tesoro (meu pai me chamava assim), você sabe o que é milagre, hein?

Ora, é claro que eu sabia! Um milagre era uma coisa mágica, impossível, muito séria e que mudava a vida das pessoas. Um milagre era uma coisa tão poderosa e tão incrível que só Deus poderia fazer. Algo absurdo, notável, cheio de luzes e audiência.

Meu pai, com aquela calma e sabedoria que me dá uma saudade imensa até hoje, com aquele sorriso que cabia o mundo inteiro dentro... Me disse que, na verdade, um milagre não precisava ser uma coisa assim, tão suntuosa. Muito pelo contrário. Os maiores milagres aconteciam em silêncio, sem luzes brilhantes em volta, sem grandes eventos e nem reportagens de TV. Ele disse que os maiores milagres vinham de dentro pra fora. Me pediu pra observar as pessoas no natal. E que reparasse o verdadeiro milagre que o natal podia fazer na vida de algumas delas.

Desde então, antes do natal, eu fico sempre triste, porque começo a reparar nas pessoas, como meu pai ensinou. Vejo que muitas delas estão atoladas em um poço de cansaço, de injustiça, de medo, de raiva, de inveja e de outras coisas que não são nada nobres e nem bonitas. Vejo que vamos nos metendo em círculos viciosos de trabalho, de amizades superficiais, de sentimentos forjados, de mentiras, dos quais nem sempre conseguimos sair. Vejo muita gente jogando a vida pela janela com vícios, com escolhas erradas, com teimosias bestas. Vejo pessoas que não conseguem abraçar, beijar, dizer coisas bonitas, acarinhar, mostrar um afeto sincero. Vejo pessoas que não dão a mínima para as outras e só pensam em si mesmas. E pessoas que nem de si mesmas cuidam, desprezando a sorte de estar vivo. Vejo os mesmos velhos erros de sempre, gente que não aprende, e me irrito comigo mesma por ainda acreditar que eu e algumas pessoas que eu amo possamos mudar coisas que, na verdade, não têm muito jeito, porque somos humanos e vivemos pra fazer besteira, todo dia, toda hora. Vejo gente com saúde, emprego, família, oportunidades que só pensa no que é ruim, e reclama de tudo, se fazendo de vítima do mundo. E outras tantas que, quando começa essa época, começam a consumir coisas compulsivamente, se metendo em dívidas, sem lembrar do verdadeiro sentido do natal - aquela coisa da humildade, da nobreza e do sacrifício de um pai que ofereceu seu bem mais precioso, seu filho, para vir ao mundo ensinar o que é amor de verdade.

E tudo isso é muito, muito deprimente. E toda essa tristeza dura até o natal, enquanto vou sobrevivendo aos amigos secretos, aos shoppings lotados, às festinhas de fim de ano, às obrigações e compromissos e às mensagens vazias que enxergo nos outdoors e na televisão. Até que eu enxergo o verdadeiro milagre que a idéia do natal pode fazer.

Claro, sempre haverão aqueles que bebem e comem demais e estragam a festa dos outros. Sempre haverá consumismo exagerado. Sempre haverá mediocridade, pessimismo e mau humor. Sempre haverá quem não entenda nada. E sempre haverá miséria, fome, tristeza e injustiça no mundo. E eu com minhas boas intenções, com poucas ações de compartilhamento, com meus presentinhos e mensagens para os amigos, com minhas orações e meus desejos, pouco posso fazer por essas pessoas e por mim mesma. E ainda assim... Algo acontece no natal que faz um milagre. Nem que seja só por uns dias... Nem que seja só por uma noite.

O natal pode unir familiares que não se vêem faz tempo, e fazê-los se abraçarem com força e carinho. O natal pode enternecer corações duros, levando-os às lágrimas numa canção ou imagem bonita. O natal pode fazer mulheres amorosas cozinharem para seus queridos, levando sabores e beleza que enchem estômagos e olhos.
O natal pode trazer uma saudade gostosa de quem não está mais aqui, mas deixou boas lembranças e bons exemplos. O natal pode levar pessoas avarentas e mesquinhas a ajudar outras que não têm quase nada para comer ou vestir. O natal pode ser a chance que as pessoas têm para escrever, dizer ou desejar em silêncio tudo de bom para aquelas que elas amam. O natal pode ser um momento de perdão. Ou de alegria. Ou de reflexão. O natal pode ser a chance de um abraço sincero que há muito estava preso. O natal pode ser uma noite cheia de pequenos milagres.

E é por isso que, apesar de tudo, eu vou sentar sozinha uma hora, e reparar no milagre que foi Jesus ter nascido um dia, e trazido, entre tantas outras coisas boas, a chance de pelo menos uma vez por ano, parte do mundo estar mais calma, mais em paz e melhor. Uma pequena parte, é certo... Mas uma parte.

Por isso, pessoas... Desejo sinceramente que, nesse natal, o milagre que vocês esperam aconteça na vida de cada um. Que haja crescimento, luz, consciência, caridade, e fartura emocional, mais do que fartura de presentes e comida. Que as pessoas que vocês amam estejam perto para que vocês possam declarar à elas o quanto elas são importantes todos os dias do ano. Que vocês relembrem o verdadeiro sentido desta data. Que não esqueçam do aniversariante. E que vocês vejam no céu, e em vocês mesmos, pedaços de dias e de pessoas melhores.

FELIZ NATAL! E uma noite miraculosa pra vocês, em todos os sentidos.


viernes, diciembre 22, 2006

As mentirinhas que nos contam

Algumas inverdades que nossos pais contam e que até hoje eu não consigo entender o que nos leva a acreditar. Ou melhor, o que leva os pais a serem tão maus mentirosos assim.

5. o homem do saco – já imaginou como é que um cara poderia enfiar várias crianças num mesmo saco e andar pela cidade? Imagina só. A primeira criança já seria bem difícil, visto que a mesma se mexeria muito e gritaria muito, o que possivelmente faria com que alguém parasse o tal homem do saco, não?


4. o coelhinho da páscoa – essa é boa. Todo mundo já se perguntou por que o coelho carregaria ovos (ainda mais de chocolate) e entregaria nas casas no dia da páscoa. Primeiro: de onde viriam tantos coelhos e pra onde iriam depois? Segundo: por que o coelho não comeria o ovo? Terceiro: Por que raios coelhos, se nem ovo ele sabe botar?


3. antes de casar, sara – quem nunca ouviu essa? Imagina só, você lá com seus 5 aninhos e com o dedo jorrando sangue devido a um corte que você fez. Aí vem um retardado e diz: não esquenta que antes de casar, sara. Aí você pensa: será que eu vou sangrar, no mínimo, por mais uns 25 anos? E se eu nunca me casar? Significa que vou sangrar até a morte?


2. as crianças nascem de uma sementinha que o papai “planta” na barriga da mamãe – essa é ótima. Imagina só que confusão na cabecinha das crianças. O papai abre a mamãe com um serrote, joga terra dentro da barriga dela, planta a tal da sementinha e depois costura a barriga da mamãe. Olha só que coisa mais lindinha... o duro é como ele faz pra regar depois...


1. o papai-noel – em homenagem ao natal que está chegando. Essa é a pior mentira que alguém pode inventar. Primeiro: como é que esse cara que deve ter uns 598 anos e que mora lá do outro lado do mundo, que provavelmente não fala sua língua, vai ficar sabendo se você foi ou não um bom menino durante o ano? E ele tem que ser muito rico, imagina comprar presente pras crianças do mundo inteiro. E engraçado também é ele adivinhar exatamente o que você quer ganhar. Pior que isso é dizer que o cara vem voando num trenó puxado por henas (esses bichos voam como sem asas?). Depois inventam que ele desce pela chaminé. Quantas casas no Brasil têm chaminé? E outra, gordo e velho daquele jeito, como é que o cara vai descer pela chaminé? E quem não tem, fica sem? Ou ele aperta a campainha e entra pela porta mesmo? Ah, é. Lembrei, ele entra pela porta mesmo. Cansei de abrir a porta pra ele no natal lá em casa...

miércoles, diciembre 20, 2006

La cuenta trás

Ya queda poco para el nuevo año y aprovecho los últimos días para despedirme de mis vicios, confiando que la entrada del 2006 es la excusa perfecta pra un nuevo comenzar sin ellos. En realidad también lo fue la entrada del 2005 y del 2004... y todos los anteriores desde que tengo memoria y voluntad de renovación. En fin... sé que no debo esperar una fecha especial para cambiar mi destino, sino que se cambia con el día a día y con la autodeterminación de hacer lo que creo que es correcto, pero aún así quiero aprovechar la fecha especial.


Quiero quitarme de la cabeza muchas tonterías que he estado alimentando últimamente y que son un lastre para mi vida. No quiero ser como las olas, arrastrada de un lugar a otro dependiendo del día y sin voluntad firme para nada. Se me terminan los argumentos para vivir sin ellos y no quiero especializarme en demagogia porque eso no dice mucho bueno de mí.


La cuenta atrás ya ha comenzado, así que trataré de darle más valor y garantía a mi palabra y a mis convicciones coincidiendo con el cambio que marca la entrada de un nuevo año.

martes, diciembre 19, 2006

Sua

E a minha vida começou de novo. Não que o que passou mereça ser esquecido, mas há muito mais pra lembrar, muito mais pra viver e um só para amar. Porque eu prometi ser só sua perante Deus, nossa família e nossos amigos. E é pra sempre. Porque minhas cores agora têm companhia e meus abraços nunca mais serão solitários. Meu céu tem o dobro de estrelas e meu sorriso anda junto ao teu. E o melhor nisso tudo é que eu sei que pra onde quer que eu vá são necessários dois lugares: um pra mim e outro pro meu amor, meu marido, meu homem.

viernes, diciembre 15, 2006

Chove lá fora

Tenho uma inexplicável fascinação pela chuva. Talvez seja pelo o que ela representa. A chuva traz esperança, simboliza fertilidade...


Mas acho que o motivo real é a satisfação física que a chuva me proporciona; de sentir seus pingos caindo sobre o corpo, e o prazer psicológico de imaginar que aquela àgua esteja lavando minha alma, e levando embora todo o mal que, por ventura, esteja dentro de mim.


O fato é que, por mais natural que esse fenômeno seja, nunca ficamos indiferentes a ele. A chuva, inegavelmente, desperta em nós as mais variadas emoções: da alegria dos sorrisos estampados nos rostos das pessoas do sertão, que juntas festejam sua chegada, como a de um ente querido, há tempos distante... à tristeza da pessoa trancada no quarto, olhando os pingos da chuva caindo contra o vidro da janela fechada.


Relembrando momentos, e com os olhos marejados de saudade...


viernes, diciembre 01, 2006

Que sorte a minha ter te encontrado. Fico muito feliz que isso tenha acontecido e dessa forma estarmos construindo um amor sólido e verdadeiro a cada dia. Sou muito grata por Deus ter me dado um sentimento tão especial numa caixinha de laço vermelho e o melhor é que essa caixinha me foi entregue por você. Quando digo que estou contando os dias pro nosso casamento, não é mentira.

Já vivemos nosso conto de fadas, mas sinto que preciso viver isso todos os dias. Do anoitecer até o nosso acordar. Ter o prazer de ajeitar nossas coisas, não ter hora pra conversar, dormir ou beijar sua boca. Quero ver nossas paredes da cor do nosso amor e encher aquele apartamento pequenininho de tanta felicidade. Vamos nos amando assim. Com toda essa paz e tranqüilidade que você me traz.

martes, noviembre 21, 2006

Crise dos 30

Ando na iminência de mais uma mudança.Essa fase é complicada, porque já olho as coisas com saudades. Me pego nos cantos, olhando para o nada na janela do prédio. Fazendo o caminho mais longo e mais bonito pra onde quer que seja.

Tem uma coisa estranha com Porto Alegre. Parece que a cidade me expela, como se eu fosse um corpo que a estivesse agredindo. Eu luto tanto pra voltar, eu choro tanto pra ficar e quando volto, a cidade faz de tudo pra me mandar de volta. É um eterno amor e ódio.

Semana passada isso se refletiu até na saúde. Nunca tive a crise de dor de cabeça e febre que tive desde quarta até sábado. Nunca me senti tão fraca. Parecia que tava desistindo. Eu não sei o que me espera na vida nova. Mas eu sei o que eu espero de mim.

Esse é um ano importante. É o ano que eu completo 30 anos.30 anos de corrida atrás do que eu não sei ainda muito bem o quê. Só sei que quando estou bem pertinho, quase agarrando o que eu tanto quero, deixo escapar de uma forma infantil. Acho que medo de descobrir que isso que deixei escapar não é algo tão relevante assim. Ou é.

Eu queria tanto a doçura do passado. Porque as coisas não são como os sonhos de adolescentes?

viernes, noviembre 10, 2006

Por la espalda

El golpe más doloroso y difícil de encajar no es el que haya sido impartido con mayor fuerza bruta o potencia, carece de importancia lo afilada que pudiera estar el arma homicida, ni si quiera el oficio o saña del agresor contienen la más mínima relevancia.

Despues de vivirlo en primera persona me creo en situación favorable para poder aseverar que la peor herida es aquella que se sufre cuando ésta viene a uno estando desprevenido, la que de ninguna manera cabía esperar, la que llegó fuera de lugar. Sobre todo es aquella que te aporta esa persona que nunca hubieras llegado a pensar que lo hiciera, quien creías abocado a ser tu cómplice y protector pero que finalmente resultó un implacable verdugo. Esa, esa siempre se convierte en la peor llaga, porque con toda probabilidad será la que más tiempo demore en cicatrizar.

Por eso digo que, si de verdad te apetece hacer daño a alguien, a nadie harás sufrir un dolor más profundo, miserable y devastador que a los que te quieren y confían en ti. Y puestos a hacer llorar a los que te rodean, recuerda: La mentira más dañina que una persona puede decir a otra es "te quiero" cuando no es cierto.


jueves, octubre 26, 2006

Regalos

A veces me encuentro como en esa extraña situación en la que alguien, en un desconcertante gesto de amabilidad, te regala algo que no necesitas y que yo misma nunca adquiriría.

Un regalo trampa, un favor obligado a aceptar. Me llegan de manera bastante regular ofrecimientos que las características de mi situación actual me impiden desechar, no por falta de ganas.

Mucha gente, casi siempre gente que amo, me tira a la cara contra mi voluntad su compasión, se me acercan misericordiosos conocidos con frases de ánimos que no hacen otra cosa que hundirme más, me llueven a la fuerza oportunidades de seguir viviendo cuando todo se había acabado, o, lo que es peor, apoyo en el problema que uno mismo sabe que le acompañará hasta la tumba.

Ellos quieren ayudar, y yo no quiero ser descortés, todo termina siempre en una sensación de estupidez para el afectado confrontada con un profundo sentimiento de autocomplacencia por parte del "ayudador". En esos casos, ¿Quién es realmente el que ayuda a quién?


domingo, octubre 15, 2006

A Dona do Arco e da Flecha

Eu sou guerreira! Eu sei que sou guerreira de olhar desafiador. Imperfeita o tempo inteiro. Feia ao extremo, mas sou guerreira. Sou guerreira que consegue vencer a solidão com paixão. Acabo com minha sede com mel e ainda como a abelha. Reconhece meu rosto? Está diferente, porque assemelha-se com minha alma, e esta sim está completamente mudada. Só não mudei de princípios, mas mudo todo dia os meados e raspo da minha carne, minha pele as sujeiras que o mundo aglomera.

Eu sou guerreira, que vence às batalhas todos os dias, e todas as flores cuida. Caio do cavalo todo dia. Caio do céu todo dia. Todos os dias milhares de outros guerreiros depenam minhas asas. Mas aprendi a voar alto, onde o ar pros impuros é rarefeito. Respiro lentamente, mas mantenho meu pulmão de verdades poéticas e ninguém pode tirar de mim minha poesia. Sou espada, escudo e sangue. Venço pecado todo dia e nem assim sou santa. Mas me cobre um manto de renascença, que não deixo cair.

Você que me lê deveria tentar ser guerreiro dos dias e não viver numa monotonia barata, fácil de ser conquistada. Deveria arriscar viver amor. Sabe amor? Beijos de verão no meio do inverno? Sabe palavras românticas no meio do inferno? Eu sou guerreira! Eu que hei de vencer meus abstratos e reafirmar meus concretos. Que devo ir à diante e mudar os inversos. É preciso construir muros altos pra tentar chegar no céu. Se cair… Veja bem… Se cair… É acaso do destino e todo acaso do destino é válido. O que não pode, é se contentar em subir em três tijolos e ter armadura de papelão. Eu quero é trocar de lençóis, pele e dentes. Pra ver se me esquento na noite, me cubro de lua e falo estrelas.

lunes, octubre 09, 2006

Insatisfação

A insatisfação talvez seja uma inconsciente necessidade de todos nós. Nos dá força para alcançarmos metas, nos impele a lutarmos por uma melhor qualidade de vida. Essa busca, se não for doentia, muitas vezes nos traz benefícios e nos faz crescermos material, espiritual e, às vezes, até intelectualmente.

Mas e quando essa insatisfação não cessa, quando NADA parece fazer sentido? É assim que me sinto às vezes. Levanto-me todos os dias, saio de casa, cumpro meus deveres, minhas atitudes parecem normais, ninguém percebe, mas não encontro prazer em nenhuma atividade, seja ela profissional ou pessoal. É uma sensação estranha. Não é tristeza, nem melâncolia, muito menos depressão. É como se as coisas não tivessem razão de ser. Chego a questionar o porquê de ter que ir trabalhar, preocupar-me com a saúde, dizer "olá", "bom dia"... A verdade é que, nessas ocasiões, me torno emocionalmente "dormente".

Muitas vezes, alguém com quem por acaso esteja conversando, me adverte dizendo que pareço estar em outro mundo, pois meu olhar parece ausente, distante... Tenho, no entanto, uma possível explicação: depois de muito tempo vivendo de sonhos e idealizações, talvez, diante disso, tenha alcançado todos os meus limites, de tristeza, de decepção, de paciência... É como se apenas restasse um silêncio, daqueles de água parada, inerte, vazio...

Como um atleta que, de sangue quente, sofre um impacto violento, nesses momentos NADA sinto. Até às coisas que outrora me eram mais prazerosas me torno indiferente. Minhas palavras perdem a sintonia que sempre busco com a poesia. Felizmente essa sensação é temporária. Como diria Florbela Espanca: "Tudo no mundo é frágil, tudo passa..." Sei disso. Pois basta que um outro coração bata na cadência do meu peito, para que meu corpo desperte e minh'alma volte a sentir...



viernes, septiembre 22, 2006

Tudo entupido

Ontem à tarde, devido a uma gripe maldita que quase virou pneumonia e roubou o meu suposto bem-estar cotidiano, eu tive que ficar de cama, no meu quarto, sozinha. De cama porque não estava me aguentando em pé. No meu quarto porque é o único lugar do mundo que é realmente meu. E sozinha porque nessas horas é melhor ficar só mesmo. Ninguém quer ficar perto de alguém que está doente. Ninguém quer ficar perto de alguém que está sofrendo, ou que não anda de muito bom-humor. E não quer com certa razão. É chato mesmo. Alguém doente, alguém que sofre, alguém de mau-humor lembra que a vida não é perfeita. Lembra que as gripes acontecem, que as coisas ruins acontecem, que a gente é nada perto de um vírus minúsculo ou de uma minúscula situação adversa.

Ouvi dizer que a gripe são lágrimas não choradas. Acho que já disse isso aqui. Fiquei pensando que eu precisava aprender a chorar um pouco mais. Só eu sei como tenho tido vontade de chorar. Chorar de desgosto, de decepção, de mágoa, de saco cheio mesmo. Chorar por chorar. Chorar pelas coisas ruins que estão acontecendo e pelas boas que não acontecem nunca. Chorar e mandar todo mundo ir à m.... Chorar e tomar atitudes raivosas. Chorar de melancolia, de saudade... De dor na coluna. Mas não dá tempo. Não dá tempo de chorar. Não dá tempo de perceber o que me contraria, o que me magoa, o que me decepciona tanto. Aí essa minha incapacidade de chorar acaba virando gripe. Eu tenho que ficar gripada pra pensar nessas coisas. E é nessa hora que eu acho que a gripe nem é tão ruim assim. Um nariz entupido é fichinha perto de um coração apertado. Se para resolver uma coisa preciso passar pela outra... Avant.

Mas isso tudo não é importante, isso tudo passa - a gripe, o mau humor, as pessoas e eu, com meu coraçãozinho apertado. O que não passa é a poesia do Carlos Drummond de Andrade, impressa num livro de páginas amareladas que eu não abria faz tempo - perdi o bonde e a esperança; volto pálido para casa. Não passa a música do Chico que eu coloquei baixinho pra tocar - a vida é sempre aquela dança aonde não se escolhe o par; por isso às vezes ela cansa e senta um pouco pra chorar. Não passa o solzinho que entrou discreto pelas frestas da janela e deixou tudo mais aquecido e aconchegante, e me deu um sono profundo... Sem sonhos, sem pensamentos, sem interrupções - só sono. Eu queria é isso mesmo. Sono... Muito sono. E tempo pra dormir. Como a gente dorme depois que chora até os olhos ficarem inchados.

Quando estou doente, ou triste, eu me lembro deles. Dos poemas, do Chico, do solzinho discreto e quente. Eles funcionam como a injeção química e forte que me deram de manhã. Me curam. Me aquecem. Me acalmam. Me ensinam. Me ajudam a levar a vida. Eles entram em mim como a fumacinha da inalação. Vão descongestionando tudo. Deixam o peito mais leve. E a existência mais tranquila.

Demorei a procurar o médico. Sempre demoro. Sempre acho que posso resolver tudo sozinha. Mas não posso. Chega uma hora que preciso das injeções e da poesia da vida pra me ajudar. Engraçado isso. Mesmo sem querer, acabo escolhendo pra mim o caminho mais difícil... O caminho da dor.

E hoje, vírus e decepções quase vencidos, me deu vontade de escrever sobre a vida, mas eu não sei bem o que dizer. Acho que o que eu queria dizer é que a vida não é fácil. Não é fácil ter que trabalhar todos os dias só pra ganhar uns trocos. Não é fácil ter que conviver com os altos e baixos daqueles que me usam conforme as necessidades deles e não se lembram de retribuir e nem agradecer por nada - e ainda reconhecer essas pessoas como amigos, parentes, amados, aceitando as limitações de todos eles. Não é fácil ter que fazer escolhas, ter que pagar as dívidas, ter que comprar remédio, ter que me privar de tanta coisa, resolver tanta coisa, pensar em tanta coisa. Não é fácil perceber que não sou dona do meu tempo, da minha vida, do meu dinheiro... De nada que eu pensava que era meu. Não é fácil pedir pra me amarem sufocando milhares de sonhos e impulsos para manter uma rede imensa de relacionamentos que, no fim, eu nem sei até que ponto são verdadeiros. Principalmente, não é fácil saber exatamente o que tenho que fazer para ficar melhor e, por uma estranha preguiça e desânimo crônicos, acabar não fazendo. Não é fácil não ter planos para futuro. Não é fácil. Não é mesmo. Nem eu mesma sou fácil. Aliás, sou dificílima. Só estou aprendendo a me mostrar mais como eu sou. E, que surpresa... Nem todos gostam do que vêem. Talvez nem eu.

Eu não sou a única. Não é fácil pra ninguém. Eu sei disso. Mas isso não torna as coisas menos complicadas pra mim. De narizes entupidos e corações apertados, cada um entende dos seus. Nem adianta tentar me convencer do contrário.

Nessas horas em que dá vontade de falar sobre a vida, eu posso preferir ficar gripada mais um pouco. Procuro pela dor, como quem passa a língua numa afta, aperta um dedo com unha encravada ou tira a casquinha de um machucado. Não existe dor gostosa. Mas também não existe dor que não te deixe mais forte.

Nem sei se é bom ser tão forte assim. Talvez eu precisasse ser mais frágil. Quem sabe assim alguém ia cuidar de mim.

viernes, septiembre 15, 2006

Vai vendo

Pelo amor de Deus alguém me ajude! Calem a boca dos pobres de espírito. Deixe eu começar meu dia com o pé direito. Não regularize o meu tempo, deixe que eu mesma faço. Se sou gorda? Problema é meu! Tenho que estudar desesperadamente como nunca fiz e vem esse povo pra querer me derrubar? Eu nem me levantei! Calma, calma! Evoluindo todo dia na cadência de um samba. Evolução na cadência da minha alma. E eu vou crescendo no compasso do bumbo. Deixe eu te contar um sonho meu. Deixe eu te contar quantas guerras entrei pra estar aqui. E aí sim, você pode cair matando. Pode cair batendo. Se tiver coragem, claro! Não tenho tempo pra bobeira, não tenho tempo pra retorno, pra repeteco. Saia daqui esperto! Deixe o meu dia começar com música na vitrola. Sou antiquada? Claro! No melhor estilo retrô. Deixe eu inventar os abraços pra fazer feliz os meus amigos.

Tenho repensado conceitos, desvalorizado pessoas que considerava importantes. Fico lembrando dos meus tempos de moleca, daquele ser pegajoso e romântico que era. Fico lembrando de quantas humilhações passei pra estar aqui. Pra deixar de chorar e ir à luta. Não quero servir de bom exemplo pra ninguém, mas pelo amor de Deus alguém me ajude! Calem a boca dos pobres de espíritos. Deixe eu contar estrelas. Deixe eu tentar escrever poesias que machucam muito mais que acariciam. Deixe que transforme os dias das pessoas, mude as meias dos pés, que seja! Quero fazer alguma diferença, mesmo que seja pouca. Deixe que sorria pra ele, mesmo que não saiba pra quem. Depois da minha reza, depois do meu debate, do meu abate, da minha luta, da minha vitória. Depois do próximo soneto, do próximo combate, depois de sair do inferno. Depois de colocar o céu pra dançar. Depois de tudo isso, pode cair matando, porque já terei cumprido o trajeto da linha da palma da minha mão.

lunes, septiembre 11, 2006

Gracias a ti

La palabra "gracias" pierde gradualmente su valor al abusar de ella en cualquier ocasión con la excusa que presenta la buena educación y no encuentro algo mejor que declare con la sinceridad que pretendo mi sentir hacia lo que tu vida me provoca.

Inventaría una palabra nueva para poder expresar mi gratitud sin que suene a tópico y así poder transmitirte lo más profundo de mi afecto sin recurrir a expresiones saturadas por su uso.

Gracias a ti por lo que has hecho en mi vida, gracias a ti porque a través tuyo he logrado aprender algo nuevo y porque has contribuido a hacerme una persona mejor al enseñarme cosas que tú sabías y que me pueden ayudar.

Gracias por la lealtadad con la que siempre me acompañas y por la paciencia que utilizas para aguantarme en los momentos difíciles.

Gracias por proveerme de una sonrisa y por ser capaz de discernir que cuando menos te merezco es cuando más te necesito.

Gracias por conservar el interés por seguir conociéndome y por dejar que me adentre en tu vida.

Gracias por no rechazar mi mirada y regalarme la tuya.

Gracias por no darme la espalda ante la incomprensión y por hacer posible que, a través del esfuerzo mútuo, podamos avanzar en este precioso camino.

Gracias porque en un mundo inestable puedo contar contigo y saber que en el futuro aún seguirás a mi lado.

Gracias por no enfocarte en mis errores, que bien conoces, y ofrecerme la esperanza de saberme útil como tú lo eres en mi existencia.

Gracias por no dudar que este mensaje está dirigido a ti .

Seas quien seas.

Gracias ;)

viernes, septiembre 01, 2006

Colorindo

Ontem o dia parecia um qualquer como todos os outros: cumpri minha rotina diária de trabalho e tudo mais... uma rotina que acontece com muitas pessoas nos mais variados lugares. Tudo levava a crer que nada de especial aconteceria... mas aconteceu. Foi mágico, encantador e surpreendentemente comum. Conto-lhes.

Após minha longa jornada laboral, cheguei em casa decidida a não sair mais... mas não foi o que ocorreu... alguns amigos que não via já há algum tempo me convidaram para um happy hour, aliás, me intimaram!!! Sem muitos argumentos e não resistindo à uma forte reversão ... ... fui!

Como sempre, estávamos em um papo animado e diversificado. comentávamos sobre design e filmes. Foi justamente quando abordaram o tema filmes que a tal "mágica" ocorreu.

De repente, um dos meus amigos comenta sobre um que assistira e achara maravilhoso, outro então, discorda e emite a sua opinião. "Até aí nada demais", vocês devem estar pensando. Calma que já chego lá.

Foi então que o primeiro começa a puxar o nó que desencadeia outros filmes e, junto a esses filmes, mais memórias, lembranças... e sensações. Aí que decidi ficar quieta e prestar mais atenção. Claro que estava interessada em saber o conteúdo das obras mencionadas mas meu foco voltou-se para o tom de voz que eles manifestavam a cada lembrança. Era algo contagiante.

Cada sílaba, cada palavra era acompanha de um ânimo doce e quase infantil. As palavras viraram uma melodia suave que só encontrava eqüidade no brilho de seus olhos. Aí fui constatando a riqueza que existe no mundo; a riqueza da diferença. Obviamente sei que existem diferenças e sempre as respeitei mas nunca tinha parado e observado tão atentamente como naquele momento.

Já me peguei olhando para as pessoas e indagando: "Como deve ser o dia a dia dessa gente? Quais são as histórias de suas vidas? O que eles têm para contar, ensinar, trocar? Como elas vêem e se comportam no mundo?"

Nesse curto período de tempo em que estivemos lá conversando, enxerguei a riqueza simples dos momentos diferentes do meu cotidiano. Simples sim, pois a riqueza não precisa ser ostentosa para ser bonita ou agradável. Basta apenas que você a permita fazer parte de sua vida. Para mim, não são necessárias posses materiais para sentir-me plena, realizada (mesmo que por alguns segundos). Posso desfrutar de bons momentos, seja sentada em um banco da praça, andando na rua, em um posto de gasolina, em uma lanchonete, observando pássaros, ouvindo uma música...ou conversando sobre filmes.

Sempre fui centrada, observadora, de parar e refletir. Entretanto, nunca deixei de ser bem humorada, brincalhona e afetuosa. Com o tempo, fui aprendendo muita coisa e minha postura analítica começava a sobressair. Aí eu cresci, me tornei adolescente. Rebelde não fui pois não havia causa, contudo minhas emoções se subjugaram por demais ao intelecto. Tempos depois, ingressei na faculdade e meu raciocínio ponderado e detalhista mostrou-se bastante útil.


Faltava algo na minha vida. Não me dei muita conta na época mas algo não estava de todo bem. Hoje percebi o que era: faltava mais "cor". Faltava relaxar um pouco mais, faltava me desprender, faltava um brilho maior nos olhos, uma melodia suave que saísse do meu peito e ganhasse os ares numa harmonia acolhedora. É claro que isso não seria tão árduo de se conseguir pois sempre me permiti aprender. E o dia de ontem foi uma lição e tanto.

Já tenho tomado esses aprendizados de um tempo pra cá. Os minutos, horas ou outras entidades cronológicas de maior peso que passo na Internet conversando com pessoas queridas tem me inspirado muito a isso. E os resultados vêm aparecendo de forma gradual e cada vez mais profunda. Isso é maravilhoso!

Não posso terminar este post sem contar a vocês os nomes dos meus amigos: Tiago, Micheli e Vinícius. Olha, vocês não têm noção de como "coloriram" o meu dia. Agradeço muito, muito, muito mesmo. :-)

Talvez muitos leitores não compreendam este post, mas tudo bem.

Um graaaaaaaande beijo em todos.

Pintem seus dias sempre! ;-)

martes, agosto 29, 2006

Flash

Ontem sonhei com a vida passando como um filme diante de meus olhos. Consegui sentir o cheiro do café delicioso que minha mãe preparava antes de eu ir para o colégio aos 8 ou 9 anos. Pude rever aquele coleguinha que sentava ao meu lado nas aulas, que me encantava e, para quem até escrevia versos, nunca revelados.

Me ví, então, em outro cenário, rindo-me das piadas contadas pelos meus primos nas reuniões de família nas férias de julho... Mas, de repente, tudo fica escuro, e quando volta a luz, me vejo aos 16 anos, sentada próximo à janela, olhando os fogos de artifício brilhando no céu, ouvindo a música alegre e os sorrisos das famílias que festejavam nos apartamentos ao lado. Era, meia-noite, era ano novo, e eu estava só... mesmo rodeada de gente.

Me via agora aos 23, esperando meu pai. Era o reencontro, iria finalmente poder tê-lo ao meu lado. Ele chegou, eu o abracei. Como uma criança, deitei em seu colo... era um momento inestimável pra mim, não trocaria aquilo por nada no mundo. Mal podia acreditar quando ele alisava meus cabelos e me dizia que havia sentido minha falta. Como era bom ouvir aquelas palavras, sentir todo aquele carinho...

Viajei por vários outros momentos importantes, reviví tristezas e alegrias, me vi cantando, sorrindo, chorando...

Pela manhã ao acordar, levantei, olhei no espelho, e me vi diferente daquelas imagens que vira em meu sonho. O tempo passou, algumas feridas ainda não cicatrizaram, ainda restam mágoas profundas, inconscientes... mas sei que tenho uma missão a cumprir, e que nada do que passei foi em vão. E hoje, agradeço a Deus por tudo. Pois sei que um dia haverá, em algum lugar, uma porção de paz e felicidade para cada lágrima que derramei...

martes, agosto 22, 2006

Sentimiento de Falta


Estaba asistiendo el otro día, un documental en la televisión sobre los distintos pueblos mongoles. En determinado momento el reportero le pregunta a una de las mujeres de la tribu con ayuda de la intérprete: - “Viviendo en el medio de los bosques, de la misma forma desde tiempos lejanos, con la misma de organización de sus ancestros. ¿Hay algo que sientas falta, siendo que ya tuviste contactos con la civilización moderna?” Para sorpresa de todos, la intérprete no podo traducir la palabra “falta” siendo que la misma no existía en su idioma, ni tampoco en ninguno de los dialectos mongoles que conocía.

Nosotros los uruguayos tenemos varias palabras para apuntar la falta de algo o de alguna cosa. Y cada uno tiene su propia definición de peso en el tema. Cada cual carga con sus recuerdos y vivencias y la magnitud de los sentimientos por la Patria e o por algo que en Uruguay ya no se encuentra con tanta facilidad o quizás solo se encuentre en la memoria de pocos nostálgicos en que con mucho orgullo yo me encajo.

Extrañar como decimos (Y no como dicen los norteños), es un tema delicado para muchos y inadmisible de tratar para otros, siendo que a veces hacen sangrar heridas que uno insiste en que cicatricen a costo de un nuevo mundo (por que el nuevo siempre viene) y de la memoria de lo que no puede volver (por más que deseemos que los tiempos un día volviesen atrás).

Lo raro de pensar en el pasado, es que siempre viene cargado de recuerdos lindos. Mismo que los tiempos en infancia, hayan sido duros y llenos de “Faltas” que nos hacen a todo costo intentar recuperar (inútilmente) algo de la felicidad que no tuvimos, y de intentar mostrarles a los más jóvenes (también inútilmente) lo lindo que era el Uruguay con sus tradiciones y costumbres casi todos ya perdidos o dejados para tras.

La juventud no es más la misma. Y en verdad no tiene que ser. Pero perder las costumbres y la educación tan característica de los orientales, que a gran costo nos proporciono entre otros, el titulo de ciudad más amable y acogedora de Latino América, me parece que en este tema andamos para tras.

Pero algo se mantiene. Y tenemos que aprender a utilizar la tecnología, los nuevos hábitos y el futuro que hoy nos acerca y enlaza, con los recuerdos de las cometas remontando en un campo de potrero. Tenemos que entender que el mundo es de los jóvenes, pero la sabiduría esta presente en el conocimiento de los más viejos. Tenemos que entender que las costumbres y hábitos cambiaron. Pero que la educación y los modales son nuestra marca y que existe una parte de Uruguay que tiene que ser inmutable.

En nuestra cultura, al revés de la de los pueblos mongoles, existe si la palabra y el sentimiento de “Falta” y cuando existe este sentimiento, existe también la necesidad de rellenar esta “Falta”.

A nosotros que añoramos un Uruguay que no conocemos más, todavía podemos cerrar los ojos y llevar nuestro pensamiento a otros tiempos en que pasaba el vendedor de empanadas, el tiempo en que podíamos ir al teatro (que hoy es más una de las muchas iglesias populares), de tomar unos mates en los lindos parques y plazas sin que te roben y andar en el Transvía o en el autobús eléctrico con sus chispas al aire encantando los ojitos de los más chicos.

Yo, les confidencio, que donde más encontré ese sentimiento que “rellena” de que les hablo fue en el carnaval de calle. Más especifico en las cuerdas de los tambores llamándote en las llamadas y en las lágrimas del murguista que en noche de carnaval llora sus fantasías y añora como tú y yo un Uruguay querido, quizás perdido más siempre amado.

lunes, agosto 14, 2006

Desistentes

Quando comecei a fazer Psicologia, eu queria muito entender a cabeça das pessoas. E uma das primeiras coisas que me ensinaram é que é da natureza do ser humano buscar o prazer e evitar a dor. Invariavelmente. Com o tempo, vamos achando a medida disso; nem tudo pode ser só prazer e nem toda a dor pode ser evitada - é o preço de viver em grupo com outros seres humanos. Mas, basicamente, o que foge da nossa natureza de querer estar bem é distorção. É anormal.


Depois de algum estudo, eu descobri que entender a cabeça de alguém (inclusive a minha) era impossível, mas descobri também que as pessoas, em geral, não costumam ser criativas quando o assunto é conduzir a própria vida, e acabam repetindo certos padrões - para o bem e para o mal. E, com relação ao sofrimento, muita gente acaba se acostumando a ele. Normalmente, as pessoas tendem a esquecer o gosto da felicidade muito facilmente quando expostas a momentos ruins. Tendem a normalizar as dores, e, passado algum tempo, esquecem completamente de que há sempre - sempre - alternativas para a superação. Desenvolvem pânicos, depressões, síndromes, paranóias, estresses, somatizações e outros tipos de problemas que, no fundo, são sintomas evidentes de que algo não vai bem. E, não raro, preferem lidar com esses sintomas do que com a realidade que os causam.


É o que acontece, por exemplo, com mulheres espancadas pelos maridos, mas que não os denunciam e nem os deixam; com pessoas doentes que não procuram o médico; pessoas perturbadas que não buscam ajuda psicológica; com pessoas insatisfeitas com seu emprego, mas não mandam um currículo sequer para tentar outra coisa; com pessoas viciadas que não largam o vício; com amantes que não dão um basta na condição de ser a outra; com filhos que são reféns dos pais, e vice-versa; com pessoas que não conseguem dizer "não" aos abusos; com outras que não conseguem dizer sim a uma boa oportunidade. São pessoas que buscam o sofrimento, embora, muitas vezes, a solução seja extremamente simples. Pessoas que desistem. Simplesmente desistem de si mesmas e dos outros.


É uma força misteriosa essa que nos faz desistir. Ela vem devagar, sorrateira. Vai ganhando espaço aos poucos. É anti-natural. E, normalmente, invisível. Um desistente só percebe que desistiu quando já perdeu tudo que tinha - dinheiro, tempo, dignidade, saúde, talento, chances. E para alguém que já perdeu tudo, só resta continuar desistindo. E essa é a melhor receita para ser infeliz.


Alguém me disse uma vez que, salvo casos de extrema arbitrariedade e violência, não existem vítimas, e que as coisas andam exatamente do jeito que escolhemos que elas andem. Na época, achei um posicionamento radical e simplista. Caramba, nem sempre as coisas saem como planejamos. Somos constantemente surpreendidos pela vida, não há meios. E, para muita gente, não é possível sequer escolher porcaria nenhuma, porque as opções não existem.


Aí eu fui vivendo e vendo gente caída por todos os cantos, tentando olhar amorosamente para a dor dessas pessoas e aprendendo com elas; e por isso não as julgo - tento compreender. Mas vi também muita gente que com nada, ou quase nada, fez muito. Gente que foi humilhada, abusada, violentada; gente que não recebeu de graça absolutamente nada de ninguém; gente que nasceu com o selo de desistente na testa, mas o retirou brilhantemente. E aí penso que realmente não há vítimas - apenas motivações que levam as pessoas a deixarem pra lá essa coisa de viver decentemente.


Comecei a escrever esse post porque vi o resultado das pesquisas eleitorais. Fiquei pensando - por que raios as pessoas querem manter no poder alguém que comprovadamente roubou, corrompeu-se e corrompeu, manipulou, ofendeu e cuspiu simbolicamente no voto de milhões de brasileiros? Por que as pessoas estão desistindo desse jeito? Por que essa dormência? E aí pensei que a sociedade é só um espelho do que são as pessoas que a compõem. O buraco é mais embaixo - as pessoas estão, cada vez mais, desistindo. Os números das pesquisas apenas mostram uma maioria de pessoas desistentes. E isso é muito triste aos meus olhos.


Tudo diz que somos um lixo. O salário que ganhamos. A vida estressante que levamos. O que vemos na TV. Os padrões estéticos, éticos e econômicos. Os relacionamentos superficiais. Nós somos nada perto de um bandido nervoso com um celular no presídio; nada diante de um vírus ou uma bactéria. Nossa existência chega a ser ridícula. E vamos acreditando que não vale a pena pensar, não vale a pena fazer, não vale a pena argumentar, não vale a pena acreditar. Vamos acreditando que somos um lixo. E então, vamos desistindo.


Uma vez, conversei com uma pessoa que tinha assumidamente desistido de viver. Ela me disse: "o problema é que continuo a respirar". Sim, seria fácil desistir se não fosse isso. Continuamos a respirar. E o tempo não pára. E a vida é tão curta. E há tanto a fazer.


Ultimamente - não sei se é a vida que anda mais dura, ou eu que estou mais sensível e sem paciência - tenho sentido que há muitos convites para a desistência em minha vida. As pessoas dizem, com atos ou palavras - desista. Desista, Marcela, desista. Desista de ter um salário que seja justo com a nobreza e a importância do teu trabalho, ninguém vai dar valor. Desista de tentar não se submeter às regras imbecis, as pessoas são medíocres. Desista de ser sincera, as pessoas querem ser enganadas. Desista de ser honesta, ninguém presta mesmo. Desista de querer amar e ser amada profundamente e intensamente pelas pessoas a quem você dá amor profundo e intenso, conforme-se com migalhas. Desista de tentar achar um candidato honesto, que mereça o seu voto, todo político é safado. Desista de querer fazer as coisas direito, ninguém reconhece o que é bom na gente, só o que é ruim. Desista de tentar conversar sobre o que você sente com os outros, você se expõe demais. Desista, deixe a vida te levar. Desista, não dê pérolas aos porcos, não invista em coisas demoradas, não sonhe tanto. Desista de querer tanta coisa. Desista. Desista. Desista. A vida é dura. Conforme-se. E espere a sua morte chegar.


É sábio desistir do que não tem jeito. Mas é mais sábio ainda continuar tentando se há uma pequena chance de dar certo.


E aí eu pensei que ninguém vai me fazer desistir de algo que eu não consigo. Eu só desisto daquilo que eu não quero mais. E talvez essa seja a minha maior qualidade... E o meu maior defeito.


Só sei que, hoje, eu precisava escrever esse post pra dizer pra mim mesma que eu não quero ser uma desistente. Não quero. É bom que essas coisas fiquem registradas. Bem registradas.